Toda a vida política rodava, na prática, em volta dos longos confrontos que opunham os habitantes das três cidades vizinhas: os hornacheros na Casbá, os andaluzes na cidade baixa de Salé a Nova (atual Rabat) e os muçulmanos mais tradicionalistas no outro lado do Bu Regregue, em Salé a Velha.
Protegida pelos baixios que marcam a entrada do porto, na foz do Bu Regregue, a frota dos piratas de Salé era composta por navios de pouco calado, pequenos mas rápidos.
Os mouros vindos de Espanha, cujo número se desconhece, mas que se estima em quatro ou cinco mil, fazem reviver a velha cidade de Yaqub al-Mansur, Rbat el-Fatah, que passa a ser conhecida como Sla el-Djedid (Salé a Nova), por oposição à cidade do outro lado do rio, Sla el-Bali (Salé a Velha).
Este acordo deu origem a três agrupamentos político-territoriais distintos: a Casbá, Salé a Nova e Salé a Velha, conservando esta a sua administração própria.
As gentes de Salé a Velha em particular, conhecidas pela sua religiosidade ortodoxa, sempre duvidaram da sinceridade da fé dos "pseudo-muçulmanos" que se instalaram na outra margem do Bu Regregue.
Para isso cercou Salé a Nova e bombardeou a Casbá com cinco peças de artilharia instaladas na margem direita.
Em abril do mesmo ano, os hornacheros tomam o poder com o apoio de El Ayachi e declaram formalmente a independência de Salé, afastando o antigo governador xerifano.
Segundo o relato do padre Pierre Dan na sua "Histoire de Barbarie et de ses corsaires" ("História da Barbária e dos seus corsários") de 1646, a pirataria em Salé começou com a chegada de mouriscos de Espanha, cujas riquezas lhes permitiram adquirir alguns navios, que eles equiparam para o corso.
Os cativos eram encerrados nos matamouros (matmura, silos subterrâneos de cereais) e vendidos no mercado de escravos, situado na margem sul do Bu Regregue, ao pé da Casbá.
El-Mamora (atualmente Mehdia), na foz do Cebu, 20 milhas a norte de Salé, era um reduto de piratas particularmente ativo onde havia mais cristãos que muçulmanos.
